Cuidei que tinha morrido

 

"Tudo aquilo que, até hoje, escrevi ou mostrei, resultou, apenas, do que sentiram, durante meio século, os meus olhos, os meus ouvidos, os meus pés (e o mesmo será dizermos o meu corpo e a minha alma!) de bailador."

 

CANTA – AMÁLIA RODRIGUES



Ao passar pelo ribeiro
Onde às vezes me debruço
Fitou-me alguém corpo inteiro
Dobrado como um soluço



Pupilas negras tão lassas
Raízes iguais às minhas
Meu amor quando me enlaces
Porventura as adivinhos
Meu amor quando me enlaças



Que palidez nesse rosto
Sob o lençol de luar
Tal e qual quem ao sol posto
Estivera o agonizar
Deram-me então por conselho
Tirar de mim o sentido
Mas depois vendo-me ao espelho



Cuidei que tinha morrido
Cuidei que tinha morrido.

 

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